sábado, 28 de fevereiro de 2015

25 Anos da TUA Associação

Hoje, a TUA Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja está de parabéns, faz 25 anos. 

Para assinalar esta data, a Direção convidou um dos fundadores, João Paulo Clemente, a escrever um artigo de opinião sobre este, já longo, caminho. Muito Obrigado João, está perfeito.

UMA ASSOCIAÇÃO QUE NASCE HÁ 25 POR ENTRE AS ROCHAS

HÁ 25 anos, nascia, na freguesia de Figueiró da Granja, concelho de Fornos de Algodres, distrito da Guarda e diocese de Viseu a Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja. Esta começou a germinar no seio de um conjunto de jovens aventureiros que, desde muito novos, viveram momentos de camaradagem no campo, nas ruas, nos lugarejos, no “relvado”, na escola, na igreja, no campo de futebol da sua terra. Nestes espaços criaram-se laços que mais tarde se materializaram na constituição de uma associação juvenil que possibilitasse o convívio e simultaneamente a promoção e a divulgação da cultura de uma terra, a nossa.

À semelhança de uma criança que se regista após o seu nascimento, no dia 28 de fevereiro eu, João Paulo Lopes Clemente, o José António Neves, a Arminda e a Maria José dirigimo-nos ao registo civil de Fornos de Algodres e demos personalidade jurídica à Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja. Aprovámos o logótipo da "ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL DE FIGUEIRÓ DA GRANJA", que tem como elemento fundamental o Pelourinho de Figueiró da Granja. Este foi um trabalho elaborado pelo João Furtado, atual presidente, e pelo Sérgio Carvalho. Foi um símbolo bastante conseguido, pois metaforicamente apresenta os objetivos da associação, nomeadamente a vertente da cultura e da sabedoria, representadas pelo pelourinho e pelo mocho; a vertente recreativa simbolizada na bola.

A partir daqui, elaborou-se um Plano de Atividades, materializado no decorrer dos anos de mandato. A nossa primeira sede foi na casa do povo. Aqui criamos um ponto de encontro. Com um bar aberto, matraquilhos mesa de snooker, durante alguns anos tornamos a casa do povo um espaço aberto quase diariamente a quem desejasse beber um pouco de juventude. Recordo os campeonatos de sueca, novidade nesta freguesia até então. Neste percurso da associação há que referir o papel importante do primeiro presidente desta associação, o José António Neves que contribuiu quer com o seu tempo quer com o seu apoio económico.

A vida associativa continuava com altos e baixos mas sempre cientes que era importante termos a nossa autonomia, independência e personalidade.
Como associação democrática realizaram eleições de acordo com os estatutos. É já no mandato do Cândido Ferreira que surgem as “I Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja”, junto ao Pelourinho. Embora ainda muito simples, estava dado o primeiro passo para que aquelas se tornassem uma das atividades mais interessantes e mais importantes da vida desta associação. No ano seguinte, já no meu mandato, fomos originais e realizamos esta atividade no largo das eiras, ainda mais perto do povo. Com o apoio de muita gente e das entidades locais (Junta e Câmara) e nacionais (IPJ, Governo Civil) realizamos as” II Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja” onde incluímos pela primeira vez um Cortejo Etnográfico. Procuramos pessoas que soubessem de cultura e etnografia para sermos rigorosos na transmissão do viver e do sentir da nossa terra, através desse cortejo. Foi um sucesso: música popular, exposições, ranchos, música popular, atividades desportivas deram mais vida a um belíssimo espaço da nossa terra, as EIRAS.

Nesta altura, graças à colaboração do nosso pároco de então, o Pe. Virgílio, a sede da associação passou para a casa paroquial. Com a ajuda do IPJ, e inscritos no RNAJ, comprámos um computador e o mobiliário essencial para uma associação funcionar. Entretanto sentiu-se a necessidade de fazer chegar aos nossos sócios mais distantes as notícias da nossa associação e da nossa terra. Surge então o Jornal “O Figueirola”, iniciado por mim com a colaboração de muitas pessoas. Destaco o Marco Santos, a Carlota, a Irene, o José, O Pe. Virgílio, o saudoso Sr. Dr. Veiga e o saudoso Sr. Aníbal Pacheco que sempre colaboraram. Este era o “FACEBOOK” dos finais do século para os nossos emigrantes. Para além das notícias, havia artigos de opinião, divulgação da história e da cultura da nossa terra. Este simples meio de comunicação tornou-se um incómodo para o poder local estabelecido. Finalmente, a liberdade de opinião era uma realidade. Recordo-me que na altura o tema da regionalização tornara-se um debate não só nacional mas também local. Desta forma solicitamos aos líderes locais das duas forças políticas mais implementadas no concelho, nomeadamente o PSD e o PS, as suas opiniões. Lembro-me da colaboração do Dr. Miranda e do Dr. Carlos Costa que apresentavam pontos de vistas diferentes, naturalmente, sobre o tema em questão. Recordo ainda a nossa ligação quer à escola primária quer à escola secundária que nos faziam chegar trabalhos dos alunos e as opiniões dos professores, nomeadamente do seu director, o Dr. Artur Oliveira. Há a realçar igualmente os artigos do Pe. Virgílio, Dr. Veiga e Sr. Aníbal Pacheco. É nesta altura que eu próprio publico, aquando do 25 de abril, um artigo de opinião denominado “De uma grande Ditadura, a pequenas ditaduras, mascaradas de democracia”. Alguns políticos locais, de então, parece que não ficaram muito contentes.

Entretanto a vida associativa continuava e as nossas crianças tinham agora a possibilidade de acampar e ter uma semana diferente. As “Férias Desportivas”, realizadas no seminário, com o apoio fundamental do reitor de então, Pe. Casal, eram momentos interessantes de camaradagem. A convergência de apoios das entidades locais, dos pais e da igreja foram fundamentais para que os nossos jovens, tivessem umas férias diferentes. O Sérgio Carvalho, o Marco Santos, o Nelso Costa, o Bruno Costa, a Sra. Maria, a Cristina, Zulmira Clemente, o Álvaro Santos e tantos outros deram o seu melhor para que os jovens da nossa terra fossem mais unidos. Recordo os nossos passeios de bicicleta pelo concelho, o Peddy Paper realizado em Fornos de Algodres, os banhos no rio Mondego e na piscina do Sr. Lúcio, a visita a RI14 de Viseu (dinamizada pelo então sargento Nelso Costa), os jogos no pavilhão, as noites de música à volta de uma fogueira, as refeições animadas, as missas campais em comunhão com a natureza, etc.
O Sérgio Carvalho sucede-me na presidência da associação, através de eleições democráticas. Participamos nos campeonatos de iniciados e juvenis promovidos pela associação de futebol da Guarda. Nesta altura, quer eu quer o Sérgio quer o Álvaro Santos despendemos muito do nosso tempo e muito do nosso dinheiro para levarmos por diante este projeto que fazia chegar mais além o nome de Figueiró através da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja. Durante vários anos, a vida da associação viveu destas atividades referidas. Após o mandato do Sérgio, o atual presidente da junta, Álvaro Santos manteve-se à frente da associação e a vida da associação continuava igualmente em atividade. Entretanto, a vida dá muitas voltas e é necessário colocar a vida familiar e profissional em primeiro lugar, daí algum afastamento durante estes anos.

Em 2013, há uma nova juventude que quer levar por diante a associação, concretizando os objectivos que estão na base da sua fundação. São eles que hoje têm a responsabilidade de não deixar morrer esta associação de carácter juvenil numa terra onde há a predominância de uma população idosa. Após um ano de atividade, há que dar os parabéns a esta nova direção da associação liderada pelo João Furtado, Bruno Costa e restante equipa dotada de muito valor. A organização administrativa e a atualização de alguns aspetos legais foram fundamentais para que a associação tenha futuro. Foi um ano rico na promoção da nossa terra, não esquecendo o passado, mas inovando, como foi o caso da noite de fados, da rota das capelas, das Jornadas, os santos populares, atividade de astronomia no castro de Santiago, os diversos concursos, jogos tradicionais, etc.
Quem hoje lidera os destinos da associação precisa do apoio de todos os figueiroenses, principalmente daqueles que viveram e sentiram de perto a vida da associação como dirigentes da mesma. Alguns encontram-se hoje em posição destaque na vida política local e na sociedade. Muitos de nós complementámos a nossa formação escolar com uma formação humanista no seio desta associação. Há que acarinhar e solicitar ajuda aos nossos emigrantes que lá longe sentem a sua terra, pois como alguém dizia “O rio da Minha Terra és tu que partes e levas numa lágrima a água do Rio da Minha Terra”.

Como sugestão, seria importante a criação de um “Conselho Consultivo” constituído pelos antigos presidentes da associação, antigos dirigentes e outros que a direção considerasse. Este órgão não executivo permitiria o envolvimento maior de todos naquele que sentem a vida da associação. Quem sabe uma mais valia em projetos como a construção de uma sede própria para a associação.

Agradeço à atual direção o convite para servir de guia na viagem histórica de uma associação que já chegou à idade adulta. 
Parabéns à associação e a todos aquele que deram o seu contributo ao longo destes 25 anos para que a “ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURA DE FIGUEIRÓ DA GRANJA” seja ainda hoje uma realidade!

A Associação Recreativa e Cultura de Figueiró da Granja é, pois, aquele pinheiro que no alto do Castro de Santiago nasce por entre as rochas, resiste a todas as adversidades e aprecia uma paisagem deslumbrante.

Um abraço amigo!

João Paulo Lopes Clemente




Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigado pelo comentário.