HÁ 25
anos, nascia, na freguesia de Figueiró da Granja, concelho de Fornos de
Algodres, distrito da Guarda e diocese de Viseu a Associação Recreativa e
Cultural de Figueiró da Granja. Esta começou a germinar no seio de um conjunto
de jovens aventureiros que, desde muito novos, viveram momentos de camaradagem
no campo, nas ruas, nos lugarejos, no “relvado”, na escola, na igreja, no campo
de futebol da sua terra. Nestes espaços criaram-se laços que mais tarde se
materializaram na constituição de uma associação juvenil que possibilitasse o
convívio e simultaneamente a promoção e a divulgação da cultura de uma terra, a
nossa.
À semelhança de uma criança que se regista após o seu nascimento,
no dia 28 de fevereiro eu, João Paulo Lopes Clemente, o José António Neves, a
Arminda e a Maria José dirigimo-nos ao registo civil de Fornos de Algodres e
demos personalidade jurídica à Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da
Granja. Aprovámos o logótipo da "ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL DE
FIGUEIRÓ DA GRANJA", que tem como elemento fundamental o Pelourinho de
Figueiró da Granja. Este foi um trabalho elaborado pelo João Furtado, atual
presidente, e pelo Sérgio Carvalho. Foi um símbolo bastante conseguido, pois
metaforicamente apresenta os objetivos da associação, nomeadamente a vertente
da cultura e da sabedoria, representadas pelo pelourinho e pelo mocho; a
vertente recreativa simbolizada na bola.
A partir daqui, elaborou-se um Plano de Atividades, materializado
no decorrer dos anos de mandato. A nossa primeira sede foi na casa do povo.
Aqui criamos um ponto de encontro. Com um bar aberto, matraquilhos mesa de
snooker, durante alguns anos tornamos a casa do povo um espaço aberto quase
diariamente a quem desejasse beber um pouco de juventude. Recordo os campeonatos
de sueca, novidade nesta freguesia até então. Neste percurso da associação há
que referir o papel importante do primeiro presidente desta associação, o José
António Neves que contribuiu quer com o seu tempo quer com o seu apoio
económico.
A vida associativa continuava com altos e baixos mas sempre
cientes que era importante termos a nossa autonomia, independência e
personalidade.
Como associação democrática realizaram eleições de acordo com os
estatutos. É já no mandato do Cândido Ferreira que surgem as “I Jornadas
Recreativas e Culturais de Figueiró da Granja”, junto ao Pelourinho. Embora
ainda muito simples, estava dado o primeiro passo para que aquelas se tornassem
uma das atividades mais interessantes e mais importantes da vida desta
associação. No ano seguinte, já no meu mandato, fomos originais e realizamos
esta atividade no largo das eiras, ainda mais perto do povo. Com o apoio de
muita gente e das entidades locais (Junta e Câmara) e nacionais (IPJ, Governo
Civil) realizamos as” II Jornadas Recreativas e Culturais de Figueiró da
Granja” onde incluímos pela primeira vez um Cortejo Etnográfico. Procuramos
pessoas que soubessem de cultura e etnografia para sermos rigorosos na
transmissão do viver e do sentir da nossa terra, através desse cortejo. Foi um
sucesso: música popular, exposições, ranchos, música popular, atividades
desportivas deram mais vida a um belíssimo espaço da nossa terra, as EIRAS.
Nesta altura,
graças à colaboração do nosso pároco de então, o Pe. Virgílio, a sede da
associação passou para a casa paroquial. Com a ajuda do IPJ, e inscritos no
RNAJ, comprámos um computador e o mobiliário essencial para uma associação
funcionar. Entretanto sentiu-se a necessidade de fazer chegar aos nossos sócios
mais distantes as notícias da nossa associação e da nossa terra. Surge então o
Jornal “O Figueirola”, iniciado por mim com a colaboração de muitas pessoas.
Destaco o Marco Santos, a Carlota, a Irene, o José, O Pe. Virgílio, o saudoso
Sr. Dr. Veiga e o saudoso Sr. Aníbal Pacheco que sempre colaboraram. Este era o
“FACEBOOK” dos finais do século para os nossos emigrantes. Para além das
notícias, havia artigos de opinião, divulgação da história e da cultura da
nossa terra. Este simples meio de comunicação tornou-se um incómodo para o
poder local estabelecido. Finalmente, a liberdade de opinião era uma realidade.
Recordo-me que na altura o tema da regionalização tornara-se um debate não só
nacional mas também local. Desta forma solicitamos aos líderes locais das duas
forças políticas mais implementadas no concelho, nomeadamente o PSD e o PS, as
suas opiniões. Lembro-me da colaboração do Dr. Miranda e do Dr. Carlos Costa
que apresentavam pontos de vistas diferentes, naturalmente, sobre o tema em
questão. Recordo ainda a nossa ligação quer à escola primária quer à escola
secundária que nos faziam chegar trabalhos dos alunos e as opiniões dos
professores, nomeadamente do seu director, o Dr. Artur Oliveira. Há a realçar
igualmente os artigos do Pe. Virgílio, Dr. Veiga e Sr. Aníbal Pacheco. É nesta
altura que eu próprio publico, aquando do 25 de abril, um artigo de opinião
denominado “De uma grande Ditadura, a pequenas ditaduras, mascaradas de
democracia”. Alguns políticos locais, de então, parece que não ficaram muito
contentes.
Entretanto
a vida associativa continuava e as nossas crianças tinham agora a possibilidade
de acampar e ter uma semana diferente. As “Férias Desportivas”, realizadas no
seminário, com o apoio fundamental do reitor de então, Pe. Casal, eram momentos
interessantes de camaradagem. A convergência de apoios das entidades locais,
dos pais e da igreja foram fundamentais para que os nossos jovens, tivessem
umas férias diferentes. O Sérgio Carvalho, o Marco Santos, o Nelso Costa, o
Bruno Costa, a Sra. Maria, a Cristina, Zulmira Clemente, o Álvaro Santos e
tantos outros deram o seu melhor para que os jovens da nossa terra fossem mais
unidos. Recordo os nossos passeios de bicicleta pelo concelho, o Peddy Paper
realizado em Fornos de Algodres, os banhos no rio Mondego e na piscina do Sr.
Lúcio, a visita a RI14 de Viseu (dinamizada pelo então sargento Nelso Costa),
os jogos no pavilhão, as noites de música à volta de uma fogueira, as refeições
animadas, as missas campais em comunhão com a natureza, etc.
O
Sérgio Carvalho sucede-me na presidência da associação, através de eleições
democráticas. Participamos nos campeonatos de iniciados e juvenis promovidos
pela associação de futebol da Guarda. Nesta altura, quer eu quer o Sérgio quer
o Álvaro Santos despendemos muito do nosso tempo e muito do nosso dinheiro para
levarmos por diante este projeto que fazia chegar mais além o nome de Figueiró
através da Associação Recreativa e Cultural de Figueiró da Granja. Durante
vários anos, a vida da associação viveu destas atividades referidas. Após o
mandato do Sérgio, o atual presidente da junta, Álvaro Santos manteve-se à
frente da associação e a vida da associação continuava igualmente em atividade.
Entretanto, a vida dá muitas voltas e é necessário colocar a vida familiar e
profissional em primeiro lugar, daí algum afastamento durante estes anos.
Em
2013, há uma nova juventude que quer levar por diante a associação,
concretizando os objectivos que estão na base da sua fundação. São eles que
hoje têm a responsabilidade de não deixar morrer esta associação de carácter
juvenil numa terra onde há a predominância de uma população idosa. Após um ano
de atividade, há que dar os parabéns a esta nova direção da associação liderada
pelo João Furtado, Bruno Costa e restante equipa dotada de muito valor. A
organização administrativa e a atualização de alguns aspetos legais foram
fundamentais para que a associação tenha futuro. Foi um ano rico na promoção da
nossa terra, não esquecendo o passado, mas inovando, como foi o caso da noite
de fados, da rota das capelas, das Jornadas, os santos populares, atividade de
astronomia no castro de Santiago, os diversos concursos, jogos tradicionais,
etc.
Quem
hoje lidera os destinos da associação precisa do apoio de todos os
figueiroenses, principalmente daqueles que viveram e sentiram de perto a vida
da associação como dirigentes da mesma. Alguns encontram-se hoje em posição
destaque na vida política local e na sociedade. Muitos de nós complementámos a
nossa formação escolar com uma formação humanista no seio desta associação. Há
que acarinhar e solicitar ajuda aos nossos emigrantes que lá longe sentem a sua
terra, pois como alguém dizia “O rio da Minha Terra és tu que partes e levas
numa lágrima a água do Rio da Minha Terra”.
Como
sugestão, seria importante a criação de um “Conselho Consultivo” constituído
pelos antigos presidentes da associação, antigos dirigentes e outros que a direção
considerasse. Este órgão não executivo permitiria o envolvimento maior de todos
naquele que sentem a vida da associação. Quem sabe uma mais valia em projetos
como a construção de uma sede própria para a associação.
Agradeço à atual direção o convite para servir de guia na viagem
histórica de uma associação que já chegou à idade adulta.
Parabéns à associação e a todos aquele que deram o seu contributo
ao longo destes 25 anos para que a “ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURA DE FIGUEIRÓ
DA GRANJA” seja ainda hoje uma realidade!
A
Associação Recreativa e Cultura de Figueiró da Granja é, pois, aquele pinheiro
que no alto do Castro de Santiago nasce por entre as rochas, resiste a todas as
adversidades e aprecia uma paisagem deslumbrante.
Um abraço amigo!
João Paulo Lopes Clemente